A insegurança no câmpus da Rural ( parte 2)
Postado em 10 de junho de 2014
por Ivana Barreto
Em matéria publicada no dia 30 de maio, A insegurança no câmpus da Rural, o ICHS em Foco ouviu alunos e possíveis vítimas da violência e insegurança que vem atingindo não apenas o câmpus como também moradores do município de Seropédica. O texto também relatou o ato, que reuniu aproximadamente 100 estudantes, organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), pelo Coletivo de Mulheres da Rural, pelo Núcleo Universitário Negro (NUN) e que contou ainda com a presença (e participação) do Vice-Reitor, Eduardo Callado. Os alunos foram da Praça da Alegria ao P1, para participarem de uma manifestação, cujo objetivo era expor a insatisfação da comunidade universitária quanto à segurança do local.
Por entender que o jornalismo ético tem como critério básico ouvir todos os lados de um determinado fato, publicamos, na íntegra, duas notas, divulgadas nos dias 21 e 22 de maio respectivamente, que representam a posição da Universidade diante dos últimos acontecimentos. De ambos os textos, também destacamos pontos que julgamos relevantes para o melhor entendimento da questão, que tanta polêmica e medo tem gerado nos quatro cantos da Rural.
Da primeira nota, destacamos a referência que a reitoria faz ao uso das redes sociais: “A reitoria da UFRRJ está ciente e reconhece que há problemas, pontuais, mas entende que há muita especulação e desinformação, que são fomentadas nas redes sociais”.
Como jornalistas, sabemos que, não raro, uma possibilidade pode ser transformada em ato consumado. Portanto, a partir do critério da ética é nosso dever estarmos atentos à característica que as redes sociais têm de potencializar dados, tanto para o bem como para o mal.
Da segunda nota, cabe ressaltar o trecho que relata a entrega, no dia 22 de maio, pela reitora Ana Maria Dantas, de um “ofício ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, expondo a situação de insegurança do município de Seropédica, que atinge também a UFRRJ. O governador se prontificou a trazer o secretário de Segurança estadual, José Mariano Beltrame, ao município para uma reunião específica sobre o tema”.
Posicionamento da UFRRJ sobre denúncias de insegurança no câmpus Seropédica
21/05/2014
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) está localizada no município de Seropédica, na Baixada Fluminense, tem 18 mil alunos, sendo 15 mil presenciais divididos em três câmpus – Três Rios, Nova Iguaçu e Seropédica – e 3 mil no regime de ensino à distância. Tem 103 anos, 57 cursos de graduação, 26 programas de mestrado e 13 de doutorado. Tem o segundo maior câmpus do Brasil, com cerca de 3 mil hectares. O maior pertence à Universidade Federal do Amazonas, que conta com a Amazônia e reservas florestais como câmpus.
A Universidade está ciente de que o problema social da violência vem crescendo nos últimos anos na região, o que já tem sido discutido pela sociedade como possível consequência da instalação de 37 Unidades de Polícia Pacificadora, em diversas áreas do Estado do Rio de Janeiro, desde 2008. Portanto, da mesma forma que houve um aumento de relatos de violência em toda a região metropolitana, e em Seropédica, houve na UFRRJ.
Para combater esta situação, a Universidade conta com a Divisão de Guarda e Vigilância (DGV), que tem técnicos especializados em segurança.
A reitoria da UFRRJ está ciente e reconhece que há problemas, pontuais, mas entende que há muita especulação e desinformação, que são fomentadas nas redes sociais. A última questão pontual foi semana passada: um assalto ocorrido no ponto de ônibus, que fica na Rodovia BR 465, em frente ao Instituto de Ciências Humanas e Sociais. O caso foi comunicado à DGV, foi registrado na 48ª DP (Seropédica) e está sendo investigado. O chefe da DGV, Renan Canuto, se reuniu com o comandante do Destacamento de Polícia Militar de Seropédica, do 24º BPM (Queimados) para solicitar a intensificação do policiamento no entorno da Universidade. O que já foi atendido. E a própria DGV também aumentou a periodicidade das rondas no interior do câmpus Seropédica.
Além de todas as providências citadas acima, no dia de hoje, 21 de maio, a reitora da UFRRJ, professora Ana Maria Dantas, está em Brasília, onde já teve uma reunião com o secretário-executivo do MEC, Luiz Claudio Costa. Um dos principais motivos da reunião foi o pedido de recursos financeiros para a contratação de uma empresa de segurança privada, para atuar no controle do acesso ao câmpus Seropédica, como já é feito nos câmpus de Nova Iguaçu e de Três Rios. O MEC está sensível à questão e providências já estão sendo tomadas.
Nota-se que outras universidades federais, como UFF e UFRJ, têm enfrentado problemas muito semelhantes.
Quanto a outras situações de violência ocorridas no câmpus Seropédica, a Administração Central da Universidade só toma conhecimento extraoficialmente e, por isso, não é possível um posicionamento mais efetivo. E pede que as pessoas diretamente afetadas se identifiquem, comuniquem os fatos imediatamente à DGV, para que sejam encaminhadas possíveis soluções. Estas são condições fundamentais para a tomada de providências.
A UFRRJ está aberta ao diálogo, entende que a segurança é prioridade e pede que toda a comunidade acadêmica colabore para o bem de todos.
Novas decisões sobre segurança
22/05/2014
Consciente de seu papel na gestão da Universidade e com o objetivo de dar transparência às decisões tomadas, a Administração Central vem a público expor novas informações importantes a respeito do tema segurança.
– Hoje, 22 de maio, a reitora, Ana Maria Dantas, entregou um ofício ao governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, expondo a situação de insegurança do município de Seropédica, que atinge também a UFRRJ. O governador se prontificou a trazer o secretário de Segurança estadual, José Mariano Beltrame, ao município para uma reunião específica sobre o tema.
– A elaboração de um projeto de segurança está sendo finalizada, para a contratação de uma empresa de vigilância, privada, para atuar no controle dos acessos à Universidade.
– O mato que cresce no interior do câmpus precisa ser cortado e, geralmente, é. No entanto, como é da informação de todos, há uma greve de técnicos em andamento, desde o dia 17 de março. Desde então, esta atividade está tremendamente prejudicada.
– A iluminação está precária em alguns pontos do câmpus e a manutenção está sendo feita com o mínimo de pessoal, também devido à greve de técnicos.
– Já foi solicitada a compra de mais dois veículos para aumentar a quantidade de carros da Divisão de Guarda e Vigilância (DGV) da Universidade.
– Reiteramos a necessidade de quem for vítima de algum tipo de violência no câmpus registrar qualquer situação. O contato da DGV é 2681-4646 –