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Humanidades

UFRRJ - ICHS - CAMPUS SEROPÉDICA

O vestir cotidiano: aula aberta traz debate sobre moda e territórios invisibilizados

Postado em 17 de setembro de 2026
Carol Lardoza (à esquerda) ministra palestra no ICHS

Anos após cursar um semestre de Ciências Sociais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a historiadora Carol Lardoza retornou aos espaços da instituição para um importante reencontro com as suas raízes acadêmicas. No dia 04 de setembro, a convite da professora Érica Paes, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas (PPGDT), ela ministrou a palestra O Vestir Cotidiano: Moda, Trabalho e Territórios Invisibilizados, realizada no Auditório Paulo Freire, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais. 

Nascida e criada no bairro de Bangu, Carol leva diariamente para as suas redes sociais o que define como uma perspectiva realista da moda. Para ela, adotar esse olhar significa afastar o distanciamento abstrato das passarelas e enxergar a roupa pelo que ela é na prática, funcionando como uma verdadeira armadura cotidiana. Para a pesquisadora, as escolhas de vestuário da classe trabalhadora, especialmente na Zona Oeste, na Baixada Fluminense e nas periferias, refletem estratégias de sobrevivência para enfrentar as surpresas, os ritmos e os desafios das ruas.

O interesse pelo tema vem de berço, inspirado pela convivência com a mãe costureira, e ganhou profundidade teórica durante a graduação em História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde encontrou, em história da moda e a iniciação científica, o caminho para unir o passado, o cinema e o cotidiano. 

Um dos pontos centrais da sua aula foi a reflexão sobre protagonismo e descentralização da moda contemporânea. Lardoza fez um discurso contundente sobre a importância de fazer com que as pessoas invisibilizadas da periferia deixem de ser vistas apenas como consumidoras e passem a ser reconhecidas como produtoras de cultura e economia. 

A pesquisadora também criticou fortemente a centralização dos grandes eventos de moda nas áreas nobres do Rio de Janeiro, evidenciando o abismo entre a grande indústria e a realidade da classe trabalhadora. Em um dos momentos mais marcantes, ela compartilhou uma frase de seu pai que sintetiza essa desconexão ao perguntar por que o Rio Fashion Week nunca acontece no Shopping Bangu.

A passagem de Carol pela UFRRJ marcou não apenas um reencontro com suas raízes, mas um convite urgente para repensar para quem e por quem a moda é feita no Brasil.

Texto e imagens: João Leonel – estudante do 2º período de jornalismo, bolsista do ICHS/PDAI/Proaes

Supervisão: Alessandra de Carvalho – professora do curso de jornalismo