Desperdício ruralino
UFRRJ tem gastos de verba exacerbados que poderiam ser evitados se não houvesse tanto desperdício de recursos
Por Victor Alves
O desperdício de recursos naturais é um problema de nível mundial. Não só pelas questões ambientais de sustentabilidade, que também se fazem muito pertinentes e merecem atenção, mas também pelo gasto desnecessário de dinheiro que, em tempos de crise, deve ser evitado. A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro vive diariamente essa realidade: são ambientes com luzes acesas e condicionadores de ar ligados mesmo sem ninguém nos recintos; e torneiras, vasos sanitários e mictórios com vazamento contínuo de água. Um desperdício que pesa consideravelmente “no bolso” da instituição.
Para se ter ideia, de acordo com relatório de despesas do ano de 2016, a UFRRJ gasta por mês cerca de R$ 477.499,86 para manter o fornecimento de energia elétrica nos campus de Seropédica, Três Rios e Nova Iguaçu. Isso corresponde a um montante de aproximadamente R$ 5 milhões e 700 mil por ano. Para efeitos de comparação, a prefeitura do município de Itaguaí, que tem 275.870 km² de área e uma população de 109.091 habitantes (de acordo com censo 2011 do IBGE), gasta, no mesmo período, o valor de R$ 5 milhões e 980 mil para manter a cidade iluminada. Ou seja, a instituição tem quase a mesma despesa com energia elétrica que um município que é quase duas mil vezes maior que a área de seu campus de Seropédica.
Outro dado alarmante é a conta de água que a Universidade paga. Ainda segundo o relatório de 2016, o valor destinado mensalmente ao serviço de água e esgoto é de R$ 56.547,56 – o que equivale a R$ 678.570,72 por ano.
É possível encontrar com facilidade os casos de desperdício na Rural. Ao caminhar pelos corredores do Prédio de Aulas Teóricas, por exemplo, há sempre salas vazias com condicionadores de ar ligados e luzes acesas durante todo o dia. Nenhum funcionário realiza a conferência para desligar os equipamentos que estão ligados desnecessariamente. No Instituto de Ciências Humanas e Sociais, o problema se repete, mas com um agravante ainda maior: em alguns banheiros, as torneiras não funcionam bem e permitem o desperdício de água nas pias.
Em grande medida, os desperdícios aumentam consideravelmente o orçamento para o fornecimento de recursos na UFRRJ. Isso se torna uma questão delicada visto que, diante da precária infraestrutura da Universidade, todo esse dinheiro que é “jogado fora pelo ralo” poderia ser usado na manutenção e melhoria das instalações da própria instituição.