LEVICA participa da 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia
A coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Violência contra Crianças e Adolescentes (LEVICA), Profª. Dra. Ana Cláudia Peixoto, ao lado das pesquisadoras Amanda Dantas (doutoranda) e Nathalia de Léo (mestranda), representou o laboratório na 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal.
A participação do LEVICA incluiu a apresentação de quatro trabalhos. A Prof.ª Dra. Ana Cláudia Peixoto conduziu a sessão coordenada “Interseccionalidade, gênero e poder: diálogos sobre masculinidades, violência contra a mulher e não-parentalidade na psicologia brasileira”, que reuniu reflexões sobre temas centrais das pesquisas desenvolvidas no laboratório. A doutoranda Amanda Dantas apresentou o trabalho “Processos decisórios de mulheres e homens adultos que escolheram não ter filhos”, e compartilhou resultados de sua pesquisa sobre os aspectos subjetivos, sociais e culturais envolvidos na decisão de não exercer a parentalidade.
Também foi apresentado o estudo “Avaliação de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social através do Child Behavior Checklist”, de autoria da Profª. Dra. Ana Cláudia Peixoto em coautoria com a doutora e pesquisadora do LEVICA, Sandra Antão. A pesquisa integrou o simpósio coordenado pela Profª. Dra. Graziela Sapienza (PUC-PR), que abordou questões relacionadas ao otimismo e à autoeficácia em universitários, e contou ainda com a participação da Profª. Dra. Nancy Monteiro (UNIFESP), que discutiu comportamentos internalizantes e externalizantes em adultos brasileiros.
Durante a Mostra de Práticas em Psicologia, o painel “LEVICA presente!” destacou as ações desenvolvidas pelo laboratório na interface entre pesquisa, extensão e formação, com foco na defesa dos direitos de crianças e adolescentes e no enfrentamento das diversas formas de violência. Também foi apresentado o painel da oficina “Corpo, limites e desigualdade de gênero”, que evidenciou o trabalho de conscientização do público infantojuvenil sobre o direito ao próprio corpo, o reconhecimento de situações de violência, em especial a violência sexual, e a importância da denúncia como forma de enfrentamento.
Além dessas contribuições, a Profª. Dra. Ana Cláudia Peixoto apresentou o trabalho “Esquemas Iniciais Desadaptativos, Dependência Emocional e Apego Ansioso em Mulheres Vítimas de Violência”, desenvolvido a partir das pesquisas de mestrado das orientandas Carolina Backx e Elisângela Cunha, com mulheres atendidas em Centros Especializados de Atendimento à Mulher. O estudo revelou que 73,33% das participantes apresentaram Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) do primeiro domínio, relacionado à Desconexão e Rejeição, com destaque para o esquema de Desconfiança/Abuso. Além disso, 66,66% apresentaram esquemas do quinto domínio, ligado à Hipervigilância e Inibição, especialmente o de Negativismo, e 60% manifestaram esquemas do quarto domínio, voltado ao Direcionamento para o Outro, como Subjugação e Autossacrifício.
Observou-se também a predominância do apego ansioso, caracterizado pelo medo de abandono e pela busca excessiva de proximidade, com altos escores em ansiedade de separação. A dependência emocional foi identificada como um fator de manutenção das relações violentas. Outro aspecto relevante foi o componente transgeracional da violência, uma vez que entre 75% e 80% das participantes relataram ter vivenciado situações de violência na família de origem, e 65% afirmaram que suas mães também foram vítimas de violência.
Esses resultados evidenciam que os dados apresentados vão além das estatísticas: representam histórias reais que reforçam a urgência de ações concretas para romper o ciclo da violência. Enfrentar essa realidade exige responsabilidade coletiva, políticas públicas eficazes e uma sociedade que não se cale diante da dor das mulheres.
Com essas participações, o LEVICA reafirma seu compromisso com a produção e a disseminação de conhecimento voltados ao fortalecimento da rede de proteção infantojuvenil e à construção de práticas interdisciplinares que contribuam para o aperfeiçoamento de políticas públicas direcionadas à infância, à adolescência e à proteção das mulheres no Brasil.
Apoio: UFRRJ | PPGPSI



