{"id":5625,"date":"2020-08-10T18:17:55","date_gmt":"2020-08-10T21:17:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/?p=5625"},"modified":"2026-06-18T10:07:02","modified_gmt":"2026-06-18T13:07:02","slug":"midia-e-o-retrato-das-domesticas-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/midia-e-o-retrato-das-domesticas-na-pandemia\/","title":{"rendered":"M\u00eddia e o retrato das dom\u00e9sticas na pandemia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_5627\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5627\" class=\"wp-image-5627 size-full\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/08\/foto-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1.jpg 1000w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1-124x70.jpg 124w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-5627\" class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o Youtube<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por: Fernanda Lizzi, Isabelle de Oliveira, Jasmine Mendon\u00e7a, Lucas de Andrade, Luiz Eug\u00eanio de Castro, Mayara Dias e Pedro Henrique Cabo*<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As m\u00e3os que redigiram esse texto n\u00e3o s\u00e3o calejadas pelo uso de vassouras, rodos, panos e esfreg\u00f5es. Muito menos as que carregam a exaust\u00e3o de outros afazeres dom\u00e9sticos. Al\u00e9m disso, queremos ressaltar que n\u00e3o temos a pretens\u00e3o de estarmos acima do bem e do mal ao tentarmos analisar as abordagens da m\u00eddia e retrat\u00e1-las em uma narrativa. Acreditamos, sim, que o pensamento cr\u00edtico se constitui justamente na observa\u00e7\u00e3o e reconhecimento de preconceitos hist\u00f3ricos enraizados em nossa cultura. E ele, o exerc\u00edcio da cr\u00edtica fundamentada, ser\u00e1 nossa b\u00fassola para o entendimento de um assunto t\u00e3o delicado quanto urgente: a forma como as mulheres, em sua grande maioria negras, que trabalham como dom\u00e9sticas, est\u00e3o sendo afetadas pela pandemia. Para tanto, conv\u00e9m fazermos uma digress\u00e3o hist\u00f3rica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A escravid\u00e3o foi uma das experi\u00eancias mais degradantes que a humanidade j\u00e1 vivenciou. O Brasil tem mais <\/span><span style=\"font-weight: 400\">de 350 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">anos de sua hist\u00f3ria <\/span><span style=\"font-weight: 400\">marcados pela<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> viol\u00eancia e repress\u00e3o contra <\/span><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/pesquisa-americana-indica-que-rio-recebeu-2-milhoes-de-escravos-africanos-15784551#:~:text=De%20acordo%20com%20a%20pesquisa,morreram%20a%20caminho%20do%20Rio.\"><span style=\"font-weight: 400\">cerca de 4,8 milh\u00f5es de escravos que chegaram ao seu litoral<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Juridicamente, 1888 foi o ano da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no pa\u00eds. Com a Lei \u00c1urea, assinada pela princesa Isabel, aparentemente \u201cliberdade\u201d faria parte do vocabul\u00e1rio das pessoas negras. Por\u00e9m, a realidade foi bem diferente do que contam os livros did\u00e1ticos. Sem um planejamento pol\u00edtico que, de fato, implicasse na emancipa\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o social do negro, ele permaneceu e ainda permanece marginalizado. Livre das chicotadas, mas preso em seu pr\u00f3prio \u201cdestino\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>O passado nunca foi t\u00e3o presente<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO que era a casa grande no passado s\u00e3o os apartamentos de luxo hoje. O que eram os escravos dom\u00e9sticos no passado s\u00e3o as empregadas dom\u00e9sticas hoje. A senzala moderna \u00e9 o quartinho da empregada\u201d, analisa Joyce Fernandes, 32 anos, rapper, historiadora, ex-empregada dom\u00e9stica e escritora, no <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_d_n-z3s8Lo\"><span style=\"font-weight: 400\">TEDx Talks, de 12 de janeiro de 2017, em S\u00e3o Paulo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb\u00e9m conhecida como Preta Rara, ela publicou o livro \u201cEu, Empregada Dom\u00e9stica\u201d (2018) onde, a partir de relatos de outras trabalhadoras, relembra suas pr\u00f3prias dores e viv\u00eancias desumanas, carregadas de opress\u00e3o. \u201c\u00c9 uma grande responsabilidade apresentar ao mundo um livro que tem o poder de transformar e sensibilizar as pessoas, principalmente por ser fruto de um trabalho engajado e comprometido com as lutas cont\u00ednuas pela liberdade. Tarefa \u00e1rdua, \u00e0s vezes dolorosa, mas indispens\u00e1vel\u201d, diz.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, engana-se quem pensa que o presente nada tem a ver com todo o hist\u00f3rico racista de nosso pa\u00eds. Essa triste realidade pode ser escancarada com dados concretos da m\u00eddia hegem\u00f4nica e da alternativa.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/celina\/trabalhadoras-domesticas-diaristas-falam-das-dificuldades-que-enfrentam-em-meio-pandemia-1-24341633\"><span style=\"font-weight: 400\">Em mat\u00e9ria do dia 2 de abril<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, o jornal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Globo, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">a partir de<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">informa\u00e7\u00f5es do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (Ipea), expos ao leitor a quantidade de mulheres negras no universo dos trabalhadores dom\u00e9sticos. Do total de 6 milh\u00f5es, 5,7 milh\u00f5es s\u00e3o do g\u00eanero feminino; 3,9 milh\u00f5es s\u00e3o pretas; e menos de 30% formalizadas. S\u00e3o n\u00fameros que \u201cgritam\u201d a heran\u00e7a escravocrata e patriarcal do Brasil. Ainda quanto \u00e0 mat\u00e9ria, houve a preocupa\u00e7\u00e3o de utilizar personagens reais com o objetivo de humaniz\u00e1-la, lan\u00e7ando m\u00e3o de um tom cr\u00edtico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A BBC Brasil tamb\u00e9m trabalhou dados, mas de uma forma diferente de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Globo.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> No dia 22 de abril, uma <\/span><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-52375292\"><span style=\"font-weight: 400\">mat\u00e9ria sobre diaristas dispensadas sem pagamento durante a pandemia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> foi publicada. Infelizmente, a abordagem n\u00e3o fugiu do vi\u00e9s puramente estat\u00edstico e \u201cfrio\u201d. Apesar da falta de aprofundamento em rela\u00e7\u00e3o ao aspecto social, exp\u00f4s informa\u00e7\u00f5es relevantes do Instituto Locomotiva, coletadas em uma pesquisa realizada entre os dias 14 e 15 de abril. Segundo o estudo, 23% dos empregadores de diaristas e 39% dos patr\u00f5es de mensalistas afirmaram que suas funcion\u00e1rias continuavam trabalhando normalmente, mesmo durante o per\u00edodo de quarentena.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00fameros precisos e alarmantes, mas que n\u00e3o aprofundam a viv\u00eancia por tr\u00e1s deles. A escolha editorial da BBC Brasil representa certa manuten\u00e7\u00e3o de uma fala elitista, refor\u00e7ada por Renato Meirelles: \u201cElas s\u00e3o muitas vezes a ponte da transmiss\u00e3o de v\u00edrus para a periferia&#8221;. E a vida dessas mulheres? Por que trat\u00e1-las como meros vetores? Na fala, fica n\u00edtido o olhar cient\u00edfico e pouco humanizado do personagem que o ve\u00edculo optou por consultar. Ironicamente, o slogan do Locomotiva, que Renato preside, defende justamente uma ideia contr\u00e1ria: \u201cMais do que entender de n\u00fameros, somos especialistas em entender de gente\u201d.<\/span><\/p>\n<p><b>A luta al\u00e9m dos n\u00fameros<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atravessar esse momento de pandemia \u00e9 dif\u00edcil e viv\u00ea-lo trabalhando, por falta de op\u00e7\u00e3o, \u00e9 um desafio. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Afinal, permanecer <\/span><span style=\"font-weight: 400\">em casa e poder escolher sair ou n\u00e3o constitui um privil\u00e9gio. A crise, que foi iniciada devido \u00e0 Covid-19, continuou com a desregula\u00e7\u00e3o dos direitos dos trabalhadores, que n\u00e3o s\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">respeitados<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> pelos empregadores. A situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade das trabalhadoras dom\u00e9sticas <\/span><span style=\"font-weight: 400\">persiste<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> ao longo dos anos, mas com a pandemia vem se agravando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No dia 2 de abril, a plataforma de jornalismo de dados <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">G\u00eanero e N\u00famero<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> divulgou <\/span><a href=\"http:\/\/www.generonumero.media\/pec-das-domesticas-7-anos-golpeada-empregadores-economia-coronavirus\/\"><span style=\"font-weight: 400\">mat\u00e9ria<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> em que apontou diaristas e cuidadoras de idosos como as trabalhadoras dom\u00e9sticas mais vulner\u00e1veis nesse inst\u00e1vel per\u00edodo. Com base nos estudos do Ipea, o mesmo utilizado por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Globo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, elas constituem 44% da categoria. A partir dessa an\u00e1lise, tamb\u00e9m foi observado que,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> em 2018, os trabalhadores sem carteira assinada correspondiam a 71,4% da classe<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/www.generonumero.media\/nossa-lei-e-que-vale-com-mais-de-70-das-domesticas-na-informalidade-condicoes-de-empregadores-prevalecem-sobre-pec\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Em outra mat\u00e9ria<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> desse ve\u00edculo, dados comprovaram que o n\u00famero de trabalhadores dom\u00e9sticos com v\u00ednculo empregat\u00edcio caiu de 33,3%, em 2016, para 28,6%, em 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos textos da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">G\u00eanero e N\u00famero,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> s\u00e3o apresentadas opini\u00f5es pessoais dos seus autores, pois n\u00e3o h\u00e1 interfer\u00eancia de interesses empresariais e pol\u00edticos na plataforma. Consequentemente, esse ve\u00edculo digital independente inclui comunidades ignoradas pelos grandes canais e constr\u00f3i conte\u00fados originais, com hist\u00f3rias reais, vividas por suas fontes, que d\u00e3o maior credibilidade \u00e0 mat\u00e9ria. Tal postura reflete quais devem ser os par\u00e2metros do jornalismo humanizado, capaz de revelar pontos e contrapontos de um mesmo tema, tendo como base dados concretos, relatos dos personagens envolvidos.<\/span><\/p>\n<p><b>O Di\u00e1logo com o diabo<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cleonice, 63 anos, teve sua vida interrompida pela irresponsabilidade de seus empregadores. A patroa, que viajava pela It\u00e1lia, retornou ao Brasil sem avisar a funcion\u00e1ria de uma poss\u00edvel doen\u00e7a, segundo relatos de parentes da v\u00edtima. A dom\u00e9stica trabalhava para a fam\u00edlia h\u00e1 mais de 10 anos e, semanalmente, percorria 120 km, de Miguel Pereira ao apartamento de luxo no Alto Leblon. Mesmo sendo \u201cquase da fam\u00edlia\u201d, n\u00e3o foi alertada sobre os sintomas apresentados pela patroa.\u00a0Sua morte foi a primeira relacionada \u00e0 Covid-19 no Rio de Janeiro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo <\/span><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2020\/03\/19\/primeira-vitima-do-rj-era-domestica-e-pegou-coronavirus-da-patroa.htm\"><span style=\"font-weight: 400\">mat\u00e9ria do UOL<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, publicada no dia 19 de mar\u00e7o, assim que Cleonice come\u00e7ou a passar mal, sua patroa telefonou para os familiares da pr\u00f3pria dom\u00e9stica, pedindo que fossem busc\u00e1-la. Depois de duas angustiantes horas passadas num taxi, chegaram ao hospital em Miguel Pereira, mas infelizmente a empregada n\u00e3o resistiu. Sem ter tido qualquer possibilidade de di\u00e1logo com a patroa, foi silenciada para sempre.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto isso, ve\u00edculos hegem\u00f4nicos insistiram e insistem em divulgar um improv\u00e1vel acordo m\u00fatuo com os patr\u00f5es como solu\u00e7\u00e3o para as trabalhadoras dom\u00e9sticas. Com orienta\u00e7\u00f5es legais e falas de autoridades, a <\/span><a href=\"https:\/\/globoplay.globo.com\/v\/8478302\/\"><span style=\"font-weight: 400\">mat\u00e9ria<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> do GRTV 1\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, telejornal da Rede Globo no estado de Pernambuco, para citar um exemplo, trouxe um advogado trabalhista para falar sobre as medidas cab\u00edveis.\u00a0Tal postura midi\u00e1tica \u00e9 t\u00e3o contradit\u00f3ria que o mesmo grupo de m\u00eddia produziu mat\u00e9ria, em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Globo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, no dia 2 de abril, expondo a inefici\u00eancia dos \u201cacordos m\u00fatuos\u201d: <\/span><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/celina\/trabalhadoras-domesticas-diaristas-falam-das-dificuldades-que-enfrentam-em-meio-pandemia-1-24341633\"><span style=\"font-weight: 400\">Trabalhadoras dom\u00e9sticas e diaristas falam das dificuldades que enfrentam em meio \u00e0 pandemia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. No texto, a entrevistada conta que tentou marcar suas f\u00e9rias para poder seguir as recomenda\u00e7\u00f5es de isolamento, mas n\u00e3o houve acordo. Atitude mais coerente e respons\u00e1vel teve o <\/span><a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2020\/03\/24\/Quais-os-impactos-da-pandemia-sobre-as-mulheres\"><span style=\"font-weight: 400\">Nexo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, em 24 de mar\u00e7o, que optou por nem mesmo apresentar a proposta de acordo m\u00fatuo como uma medida eficiente, pois, segundo o ve\u00edculo, ela depende da boa vontade do patr\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>Pela vida de nossas m\u00e3es<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Filhos e filhas de diaristas se uniram para criar uma <\/span><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cartamanifesto\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Carta Manifesto<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> expondo a dura realidade do trabalho dom\u00e9stico e reivindicando o afastamento remunerado durante a quarentena, o adiantamento de f\u00e9rias e a seguran\u00e7a daqueles que precisam morar no local de trabalho. O objetivo \u00e9, atrav\u00e9s de um abaixo-assinado, defender a promo\u00e7\u00e3o do bem-estar comum e n\u00e3o afetar negativamente a renda dessas trabalhadoras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Redigida em mar\u00e7o, a Carta Manifesto serviu de base para ve\u00edculos de ambas as m\u00eddias elaborarem reportagens com as hist\u00f3rias ali narradas. No mesmo m\u00eas, o jornal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Brasil de Fato<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> publicou <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/03\/20\/filhos-de-empregadas-domesticas-lancam-manifesto-pelo-direito-a-quarentena-das-maes\"><span style=\"font-weight: 400\">reportagem sobre a primeira v\u00edtima fatal<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> onde citou o Manifesto e o relacionou \u00e0 <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/04\/27\/pec-das-domesticas-completa-seis-anos-patroes-nao-respeitam-a-lei\"><span style=\"font-weight: 400\">PEC das Dom\u00e9sticas aprovada em 2015<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. A lei amplia os direitos trabalhistas da categoria, mas segue com pouca ades\u00e3o por parte dos patr\u00f5es. Em contrapartida, o portal que ofereceu maior destaque ao conte\u00fado do texto foi o <\/span><a href=\"https:\/\/dialogosdosul.operamundi.uol.com.br\/direitos-humanos\/63662\/filhos-de-domesticas-sem-quarentena-lancam-manifesto-pela-vida-de-nossas-maes\"><span style=\"font-weight: 400\">UOL<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Somos afetados por essa rela\u00e7\u00e3o &#8216;trabalhista&#8217; de retrocesso e modos escravistas&#8221;. Estas s\u00e3o palavras de filhos de empregadas expostas na Carta, tamb\u00e9m conhecida como &#8216;Manifesto das filhas e dos filhos&#8217;, criado com o objetivo de relatar as situa\u00e7\u00f5es atuais do trabalho dom\u00e9stico. Nesse Manifesto, \u00e9 comum encontrar declara\u00e7\u00f5es negativas relativas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de empregos de diaristas e dom\u00e9sticas. O inc\u00f4modo em torno dessa parcela trabalhadora s\u00f3 tem aumentado no contexto de pandemia, pois essa presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o foi considerada essencial em grande parte dos estados do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A quem importa manter viva uma empregada? A muitos patr\u00f5es n\u00e3o \u00e9 preocupante a exposi\u00e7\u00e3o enfrentada em meio \u00e0 uma pandemia, j\u00e1 que consideram prioridade suas casas limpas e organizadas. Ou seja, priorizar uma vida ao flexibilizar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, cumprindo os direitos garantidos, seguindo o isolamento social, n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o na vis\u00e3o do empregador, mas sim um preju\u00edzo. Al\u00e9m disso, a falta de espa\u00e7o para uma divulga\u00e7\u00e3o completa do Manifesto j\u00e1 sinaliza certa indiferen\u00e7a de grande parte da m\u00eddia, uma vez que a superficialidade na cobertura n\u00e3o traz a real dimens\u00e3o das dificuldades que as dom\u00e9sticas enfrentam em seus servi\u00e7os. Por isso, sua fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ser apenas um mural de hist\u00f3rias, mas local de apoio e doa\u00e7\u00f5es para quem perdeu sua fonte de renda e precisa de um suporte maior.<\/span><\/p>\n<p><b>Final do expediente\u00a0<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vai e volta do trabalho de segunda a sexta, enfrenta transporte p\u00fablico cheio e demorado, cozinha, lava, passa e ajuda nos cuidados dos filhos dos patr\u00f5es. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Como est\u00e3o essas m\u00e3os ao fim do dia? Como essa indaga\u00e7\u00e3o na cabe\u00e7a, a equipe respons\u00e1vel por esse texto analisou mat\u00e9rias dos sites <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Nexo, Brasil de Fato, O Globo, UOL, BBC Brasil e G\u00eanero e N\u00famero.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Ainda que todos tenham abordado o tema, muitas vezes apenas de maneira expositiva, questionamos: qual a contribui\u00e7\u00e3o mais efetiva que <\/span><span style=\"font-weight: 400\">a m\u00eddia pode dar em vez de textos meramente <\/span><span style=\"font-weight: 400\">factuais? Apesar da exposi\u00e7\u00e3o, ora superficial, ora repetitiva, a m\u00eddia independente e a hegem\u00f4nica demonstram que a sociedade brasileira caminhou muito pouco no combate \u00e0s desigualdades.As m\u00e3os seguem calejadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fica o lembrete: a pessoa que trabalha em sua casa n\u00e3o \u00e9 sua propriedade, sua escrava. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 \u201cquase da sua fam\u00edlia\u201d. \u00c9 uma trabalhadora e merece seus direitos como tal.\u00a0\u201cFor\u00e7a na luta! Ainda chegar\u00e1 um dia que nosso trabalho ser\u00e1 reconhecido e, assim, o quartinho da dom\u00e9stica deixar\u00e1 de ser a senzala moderna\u201d, diz Preta Rara.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">*<strong>Esse texto faz parte do projeto de extens\u00e3o Portal Humanidades\/Observat\u00f3rio de M\u00eddia da UFRRJ, coordenado pela professora do curso de Jornalismo Ivana Barreto.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5627 aligncenter\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/08\/foto-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1-124x70.jpg 124w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2020\/08\/foto-1.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Fernanda Lizzi, Isabelle de Oliveira, Jasmine Mendon\u00e7a, Lucas de Andrade, Luiz Eug\u00eanio de Castro, Mayara Dias e Pedro Henrique Cabo* As [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":5626,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[95,170,181],"class_list":["post-5625","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-domesticas","tag-mulher","tag-pandemia"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.4 - 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