{"id":4279,"date":"2018-07-07T09:16:15","date_gmt":"2018-07-07T12:16:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/?p=4279"},"modified":"2026-06-18T10:07:06","modified_gmt":"2026-06-18T13:07:06","slug":"tese-de-mestrado-discute-criminalizacao-do-funk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/tese-de-mestrado-discute-criminalizacao-do-funk\/","title":{"rendered":"Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado discute criminaliza\u00e7\u00e3o do funk"},"content":{"rendered":"<h4>A professora de Hist\u00f3ria, Juliana Bragan\u00e7a, aluna do programa de <a href=\"http:\/\/cursos.ufrrj.br\/posgraduacao\/pphr\/\">p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria\u00a0 -UFRRJ<\/a>,\u00a0 relata\u00a0 as quest\u00f5es principais abordada em sua disserta\u00e7\u00e3o,\u00a0<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"color: #000000\">q<\/span><\/span><span style=\"color: #000000\">u<\/span>e trata da criminaliza\u00e7\u00e3o do funk carioca no Jornal do Brasil nos anos 90, seu processo de pesquisa\u00a0e a rela\u00e7\u00e3o do funk com outros estilos musicais<\/h4>\n<p style=\"text-align: right\">&#8211; <em>por Ra\u00edssa Amaral e Lucas Meireles<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ouvir que o funk, um dos ritmos mais populares do Brasil, n\u00e3o seja considerado um movimento cultural. O g\u00eanero musical, que carrega uma legi\u00e3o de f\u00e3s de diferentes lugares do pa\u00eds, ainda \u00e9 fortemente associado\u00a0a\u00a0pr\u00e1ticas criminosas e \u00e0 viol\u00eancia.\u00a0 Por isso, vem sendo marginalizado no senso comum h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Foi pautada na discuss\u00e3o sobre a criminaliza\u00e7\u00e3o do funk carioca que a professora de Hist\u00f3ria\u00a0Juliana\u00a0Bragan\u00e7a (28),\u00a0graduada\u00a0pela Universidade Veiga de Almeida\u00a0(UVA) e aluna do programa de p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria\u00a0 -UFRRJ(\u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es de Poder e Cultura), decidiu escrever em sua disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Hist\u00f3ria, sob o t\u00edtulo\u00a0<a href=\"http:\/\/cursos.ufrrj.br\/posgraduacao\/pphr\/files\/2017\/11\/DISSERTA%C3%87%C3%83O-Juliana-Bragan%C3%A7a-vers%C3%A3o-final.pdf\"><strong>\u201cPorque o funk est\u00e1 preso na gaiola\u201d (?):\u00a0<\/strong><strong>A criminaliza\u00e7\u00e3o do funk carioca nas p\u00e1ginas do Jornal do Brasil\u00a0<\/strong><\/a><strong>(1990-1999)<\/strong>, defendida em junho de 2017.<\/p>\n<p>Juliana come\u00e7ou sua pesquisa em 2015 e, inicialmente, iria fazer uma an\u00e1lise comparada entre o funk carioca e a <em>cambia\u00a0villera<\/em>, ritmo argentino tamb\u00e9m marginalizado. No entanto, por demandar um tempo de pesquisa muito maior que dois anos, resolveu mudar a proposta da pesquisa. \u201cO funk carioca por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um objeto de pesquisa imenso, gigantesco. S\u00e3o v\u00e1rios vieses que a gente pode abordar o funk enquanto objeto de pesquisa. E a\u00a0cumbia\u00a0villera\u00a0tamb\u00e9m. E a\u00ed, ao inv\u00e9s de um objeto de pesquisa poliss\u00eamico e\u00a0riqu\u00edssimo, eu teria dois\u201d, explica.<\/p>\n<p>A disserta\u00e7\u00e3o\u00a0coloca em debate o porqu\u00ea\u00a0de o\u00a0funk carioca ser marginalizado e sua luta para ser considerado um movimento cultural desde 1990. Ao longo de sua pesquisa, a autora cita as can\u00e7\u00f5es da \u00e9poca como forma de an\u00e1lise e o momento hist\u00f3rico por ela considerado como o marco zero da criminaliza\u00e7\u00e3o:\u00a0os arrast\u00f5es nas praias da Zona Sul em 1992.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: right\">&#8220;O funk \u00e9 criminalizado porque \u00e9 m\u00fasica de preto, pobre e\u00a0favelado.&#8221;<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_4285\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4285\" class=\"size-full wp-image-4285\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/06\/4d8f7ba5-1c58-45c0-8f76-988facb13e30.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"462\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/4d8f7ba5-1c58-45c0-8f76-988facb13e30.jpg 1000w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/4d8f7ba5-1c58-45c0-8f76-988facb13e30-300x139.jpg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/4d8f7ba5-1c58-45c0-8f76-988facb13e30-768x355.jpg 768w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/4d8f7ba5-1c58-45c0-8f76-988facb13e30-152x70.jpg 152w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-4285\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Hemeroteca Digital Brasileira\/ Edi\u00e7\u00e3o: 19\/10\/1992)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nascida em S\u00e3o Gon\u00e7alo, regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro, Juliana sempre teve contato com o funk. Sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia foram marcadas pelas batidas e melodias agitadas, al\u00e9m de ter sido frequentadora\u00a0dos bailes funks \u00e0 \u00e9poca. Foi atrav\u00e9s do gosto pelo funk que,\u00a0ainda na gradua\u00e7\u00e3o, se interessou pelo estudo do ritmo.<\/p>\n<p>Como causa\u00a0do estigma criado pela sociedade quando o assunto \u00e9 funk, Juliana aponta o preconceito racial e social. Segundo ela, o estilo musical s\u00f3 \u00e9 marginalizado por\u00a0ter\u00a0surgido\u00a0nas favelas: \u201c<em>O funk foi e \u00e9 criminalizado n\u00e3o pela m\u00fasica, nem pelo ritmo, ou, entre muitas aspas,&#8217;pobreza musical&#8217;, como dizem, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 simplicidade musical do funk.<\/em>\u00a0N\u00e3o \u00e9 nada disso. \u00c9 por conta do p\u00fablico que consome e do grupo que produz o funk. O funk \u00e9 criminalizado porque \u00e9 m\u00fasica de preto, pobre e\u00a0favelado&#8221;,\u00a0conta.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o funk que sofre para ser reconhecido como manifesta\u00e7\u00e3o cultural. O samba, g\u00eanero musical conhecido hoje por ser um dos mais representativos da cultura popular brasileira, tamb\u00e9m passou pelo mesmo processo de criminaliza\u00e7\u00e3o. Durante a d\u00e9cada de 1920, os sambistas foram fortemente perseguidos e n\u00e3o podiam se manifestar publicamente, com risco de serem detidos pelas autoridades. \u201c<em>O funk faz parte do mesmo processo de criminaliza\u00e7\u00e3o que o samba sofreu: o racismo estrutural da nossa sociedade que calcou desde o princ\u00edpio da constitui\u00e7\u00e3o da nossa sociedade brasileira.<\/em> O racismo fez com que o samba fosse criminalizado e fez com o funk tamb\u00e9m fosse\u201d, elucida Juliana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_4286\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4286\" class=\"size-full wp-image-4286\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2018\/06\/7f79ebf6-0220-4162-a3fe-2f1e744b11dd.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/7f79ebf6-0220-4162-a3fe-2f1e744b11dd.jpg 960w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/7f79ebf6-0220-4162-a3fe-2f1e744b11dd-300x169.jpg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/7f79ebf6-0220-4162-a3fe-2f1e744b11dd-768x432.jpg 768w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2018\/06\/7f79ebf6-0220-4162-a3fe-2f1e744b11dd-124x70.jpg 124w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><p id=\"caption-attachment-4286\" class=\"wp-caption-text\"><span class=\"eop\"><span style=\"font-size: 11.0pt\">Foto: Arquivo pessoal\/Autora da disserta\u00e7\u00e3o assinando a ata de sua defesa. \u00c0 esquerda, \u00c1lvaro Nascimento. \u00c0 direita, Adriana Facine. Ambos componentes da banca que participaram na qualifica\u00e7\u00e3o e defesa da disserta\u00e7\u00e3o de Juliana Bragan\u00e7a.<\/span><\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos principais objetivos da disserta\u00e7\u00e3o era evidenciar a marginaliza\u00e7\u00e3o do funk atrav\u00e9s do Jornal do Brasil nos anos 90. Como uma das fontes de pesquisa, foi usada a Carta dos Leitores, coluna do jornal na \u00e9poca que permitia que os leitores enviassem suas perguntas e coment\u00e1rios. A experi\u00eancia confirmou que a luta contra a criminaliza\u00e7\u00e3o do funk era urgente. Juliana conta que o n\u00famero de cartas negativas em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero musical era muito maior que as cartas positivas. Al\u00e9m disso, a pesquisa deixou clara a forma estereotipada que o jornal tratava os adeptos ao funk e o g\u00eanero propriamente dito que, segundo a professora, era explicado pelo p\u00fablico de classe m\u00e9dia do jornal.<\/p>\n<p>A disserta\u00e7\u00e3o defendida por Juliana estuda a criminaliza\u00e7\u00e3o do funk na d\u00e9cada de 90. Mas o preconceito contra o ritmo musical est\u00e1 presente at\u00e9 hoje e sofre para se consolidar. No ano passado, foi criado no site do Senado Federal, pelo webdesigner Marcelo Alonso, uma sugest\u00e3o de elabora\u00e7\u00e3o de lei que pedia a criminaliza\u00e7\u00e3o do funk. Para a sugest\u00e3o ser discutida efetivamente no Senado, \u00e9 preciso que tenham\u00a0 20 mil assinaturas. Ao alcan\u00e7ar o n\u00famero de 21.985 votos, a sugest\u00e3o foi levada \u00e0 relatoria, que foi negada em novembro de 2017 pelo senador Rom\u00e1rio Faria (PSB-RJ).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A professora de Hist\u00f3ria, Juliana Bragan\u00e7a, aluna do programa de p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria\u00a0 -UFRRJ,\u00a0 relata\u00a0 as quest\u00f5es principais abordada em sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":4285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39,9],"tags":[115,146,161],"class_list":["post-4279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","category-noticias","tag-funk","tag-juliana-braganca","tag-mestrado"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.4 - 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