{"id":2078,"date":"2017-07-21T15:06:36","date_gmt":"2017-07-21T18:06:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/?p=2078"},"modified":"2026-06-18T10:07:09","modified_gmt":"2026-06-18T13:07:09","slug":"publicidade-infantil-da-tv-para-a-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/publicidade-infantil-da-tv-para-a-internet\/","title":{"rendered":"Publicidade Infantil: da TV para a internet"},"content":{"rendered":"<p><strong>Os desafios e diferen\u00e7as da propaganda destinada \u00e0s crian\u00e7as no s\u00e9culo XXI \u2014\u00a0<\/strong><em>por B\u00e1rbara Oliveira, Bruno Cardoso e Lucas Meireles<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2116\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/07\/2222.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/2222.jpg 1000w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/2222-300x129.jpg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/2222-768x329.jpg 768w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/2222-163x70.jpg 163w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com a populariza\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o no s\u00e9culo XX e sua crescente demanda entre as fam\u00edlias, o cotidiano que antes j\u00e1 estava salpicado de an\u00fancios em jornais, revistas e r\u00e1dios, passou por uma mudan\u00e7a expressiva. A TV (que chegou ao Brasil pelas m\u00e3os de Assis Chateaubriand em 1950) representou um novo espa\u00e7o de onde surgiram outros desafios, tanto para as empresas respons\u00e1veis pela publicidade e propaganda, quanto para os telespectadores que consumiam diariamente o que ali era transmitido.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, tem se tornado poss\u00edvel observar a repeti\u00e7\u00e3o deste fen\u00f4meno, quando percebemos que a internet est\u00e1 passando pelo mesmo <em>boom<\/em> de crescimento que a TV passou no s\u00e9culo passado. O p\u00fablico de modo geral est\u00e1 migrando para a internet, e junto com ele est\u00e3o as crian\u00e7as e adolescentes. Nessa nova conjuntura, problemas j\u00e1 conhecidos surgem com uma nova roupagem e o refor\u00e7o de estere\u00f3tipo de g\u00eanero \u00e9 um deles.<\/p>\n<p>Atualmente, no Brasil, n\u00e3o existe uma regulamenta\u00e7\u00e3o \u00fanica e estatal que visa definir os limites da publicidade nesses diferentes meios e tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 interesse por parte da maioria dos pol\u00edticos em colocar essa quest\u00e3o em pauta. Realidade que se desdobra em v\u00e1rios projetos de leis arquivados ou que est\u00e3o em tr\u00e2mite no Senado por v\u00e1rios anos sem uma resolu\u00e7\u00e3o. Em contrapartida \u00e0 in\u00e9rcia do estado, temos o Conselho Nacional de Autorregulamenta\u00e7\u00e3o (CONAR), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental, criada e gerida majoritariamente por representantes de empresas que trabalham com publicidade.<\/p>\n<p>O CONAR, como o pr\u00f3prio nome sugere, visa ditar para as empresas que lidam com a publicidade, o que \u00e9 ou deixa de ser \u00e9tico na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado de propagandas. Um de seus produtos, o C\u00f3digo Brasileiro de Autorregulamenta\u00e7\u00e3o Publicit\u00e1ria, tra\u00e7a algumas diretrizes para essas empresas, por\u00e9m nenhuma delas tem valor de lei, funcionando apenas como sugest\u00f5es daquilo que deve ser seguido.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, caso um cidad\u00e3o se depare com uma publicidade que fere seus direitos, o CONAR \u00e9 o \u00fanico \u00f3rg\u00e3o a recorrer. Considerando que a den\u00fancia seja apurada e a empresa respons\u00e1vel seja considerada culpada, tudo que o CONAR pode fazer \u00e9 sugerir que a propaganda seja retirada do ar ou retificada e a empresa pode acatar ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar dessa realidade, em 2014, o Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente (CONANDA) publicou a resolu\u00e7\u00e3o 163, que, pela primeira vez, definiu algumas regras que devem ser seguidas por todas as empresas que pretendem criar e veicular qualquer tipo de comercial voltado para o p\u00fablico infantil. Essa resolu\u00e7\u00e3o modificou profundamente o modo como essas publicidades s\u00e3o feitas e seus resultados podem ser percebidos diariamente ao ligarmos a TV.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Migra\u00e7\u00e3o para a internet<\/h4>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Publicidade Infantil e as crian\u00e7as que produzem conte\u00fado | PORTAL HUMANIDADES\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WBlnfk_mKbA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2103 alignright\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/07\/Gr\u00e1fico-1.jpg\" alt=\"\" width=\"503\" height=\"449\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Com o decreto da <span style=\"color: #0000ff\"><a href=\"http:\/\/pesquisa.in.gov.br\/imprensa\/jsp\/visualiza\/index.jsp?jornal=1&amp;pagina=4&amp;data=04\/04\/2014\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Resolu\u00e7\u00e3o de n\u00ba 163<\/strong><\/a><\/span>,\u00a0as fabricantes de brinquedos, games e doces \u2013 principais interessadas em anunciar para as crian\u00e7as \u2013 ficaram impedidas de fazer propagando diretamente voltada para o p\u00fablico infantil. Como consequ\u00eancia, as emissoras deixaram de manter hor\u00e1rios destinados ao este publico. Um exemplo foi a Rede Globo, respons\u00e1vel por mais da metade da audi\u00eancia no pa\u00eds, que deixou de exibir o programa \u201cTV Globinho\u201d e o substituiu por um programa matinal de variedades. A exce\u00e7\u00e3o tem sido o SBT, que continua exibindo o infantil \u201cBom Dia &amp; Cia\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo a ANATEL, s\u00f3 9,4% dos brasileiros possui TV por assinatura (espa\u00e7o em que h\u00e1 canais exclusivos para este p\u00fablico), o que contribuiu para que os jovens imergissem no mundo virtual. Se antes as crian\u00e7as passavam, em m\u00e9dia, cerca de 5h35 em frente ao televisor, hoje em dia \u00e9 mais prov\u00e1vel que este tempo seja gasto \u00e0 frente de um computador, notebook, smartphone ou tablet.<\/p>\n<p>O surgimento das redes sociais, das m\u00eddias sociais como o YouTube e das plataformas on demand como a Netflix tamb\u00e9m instauraram uma nova rela\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as e a produ\u00e7\u00e3o e acesso aos conte\u00fados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cHoje a gente n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 consumidor, a gente \u00e9, podemos dizer, \u2018prosumidor\u2019. A gente produz e tamb\u00e9m consome conte\u00fado\u201d, analisa a pesquisadora e professora do curso de Ci\u00eancias Sociais da Rural, Patr\u00edcia Pereira, que estuda h\u00e1 mais de 20 anos a publicidade infantil.<\/p>\n<p>A facilidade em gravar, publicar e compartilhar v\u00eddeos tem feito com que surja no Brasil um fen\u00f4meno de youtubers mirins e youtubers teens \u2013 jovens que usam o YouTube para mostrar seu cotidiano em canais com mais de 300 mil inscritos e mais 100 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es na plataforma. Segundo dados de 2016 da ESPM Media Lab., estes youtubers, em especial, correspondem a 31% dos canais infantis mais assistidos no site.<\/p>\n<p>Esta popularidade dos youtubers mirins tem chamado a aten\u00e7\u00e3o das empresas, sobretudo de brinquedos e games. Se na d\u00e9cada de 1990 e 2000, as propagandas possu\u00edam car\u00e1ter mais apelativo, atualmente as empresas optam por presentear os youtubers com seus produtos para que eles fa\u00e7am propaganda indireta \u2013 quando o produto \u00e9 divulgado sem necessariamente estar em uma pe\u00e7a publicit\u00e1ria \u2013 dos mesmos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2104\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/07\/Gr\u00e1fico-2.jpg\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"477\" \/><\/p>\n<p>\u201cA gente acaba tamb\u00e9m gerando uma profus\u00e3o de celebridades instant\u00e2neas, de pessoas que v\u00e3o te dizer o que voc\u00ea deve usar como maquiagem, qual boneca voc\u00ea&#8230; E ai, elas acabam tamb\u00e9m sendo utilizadas pelas estrat\u00e9gias midi\u00e1ticas, elas ganham produtos, maquiagens, blogs de maquiagem, de bonecos, que v\u00e3o de algum criar essa possibilidade de estar divulgando. Por qu\u00ea? Porque a crian\u00e7a fala melhor para crian\u00e7a. Ai, voc\u00ea tem que ter outra forma de produzir publicidade\u201d, explica Patr\u00edcia Pereira, que, al\u00e9m disso, ressalta que, quando uma crian\u00e7a anuncia para outra, h\u00e1 uma maior representatividade e, portanto, mais empatia.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a professora, a crian\u00e7a pode ser usada na publicidade para anunciar um produto como futuro consumidor, como consumidor que j\u00e1 \u00e9 e como influenciador do consumo de seus pais.<\/p>\n<p>Investindo nesta influ\u00eancia est\u00e1 a plataforma<em> on demand<\/em> estadunidense Netflix. Das 70 produ\u00e7\u00f5es originais produzidas pela empresa em 2016, 20 pertenciam ao g\u00eanero infantil. A Netflix at\u00e9 mesmo criou uma se\u00e7\u00e3o \u201ckids\u201d (para crian\u00e7as abaixo dos 12 anos), que busca trazer uma experi\u00eancia mais particularizada para as crian\u00e7as e garantir aos pais mais seguran\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 faixa et\u00e1ria dos conte\u00fados assistidos. A explica\u00e7\u00e3o da companhia estadunidense para tal investimento \u00e9 que, segundo seu pr\u00f3prio banco de dados, metade de seus 75 milh\u00f5es de assinantes assiste, em m\u00e9dia, pelo menos 3 conte\u00fados infantis por m\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Publicidade infantil na internet e refor\u00e7o de estere\u00f3tipos<\/h4>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O uso da crian\u00e7a na Publicidade | PORTAL HUMANIDADES\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qVAh_naXRB4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Viver na web \u00e9 viver em outro universo, numa esfera sem limites, onde o espa\u00e7o f\u00edsico se torna coadjuvante na era global das m\u00e1quinas e acesso \u00e0 internet. Com isso, a publicidade infantil ganha uma nova cara e os impactos na subjetividade s\u00e3o outros. Antes, as crian\u00e7as imploravam aos pais para comprar determinados produtos, hoje s\u00e3o elas que influenciam na compra de pais e outras crian\u00e7as, atuando em at\u00e9 80% das compras de uma fam\u00edlia, de acordo com a InterScience.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2105\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/07\/Imagem-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"495\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-1.jpeg 1000w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-1-300x149.jpeg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-1-768x380.jpeg 768w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-1-141x70.jpeg 141w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi observando esse cen\u00e1rio que as empresas resolveram apostar numa nova forma de divulga\u00e7\u00e3o de seus produtos, mais interativa e mais pr\u00f3xima dos pequenos. Hoje vemos youtubers como J\u00falia Silva, de 12 anos, que criou o bord\u00e3o &#8220;Beijos monstruosos e eletrizantes&#8221; e j\u00e1 at\u00e9 lan\u00e7ou o livro Di\u00e1rio da J\u00falia Silva (foto \u00e0 direita).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2106\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/07\/Imagem-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"376\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-2.jpeg 500w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-2-300x300.jpeg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-2-150x150.jpeg 150w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-2-200x200.jpeg 200w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-2-70x70.jpeg 70w\" sizes=\"auto, (max-width: 376px) 100vw, 376px\" \/>Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Diet\u00e9tica Americana, apenas 30 segundos s\u00e3o suficientes para uma marca influenciar meninos e meninas, e o apelo j\u00e1 n\u00e3o mais precisa ser feito pela TV ou outdoors espalhados pela cidade, pois agora h\u00e1 uma migra\u00e7\u00e3o de conte\u00fado infantil para a internet. &#8220;A gente precisa construir uma rela\u00e7\u00e3o na base do di\u00e1logo, n\u00e3o adianta eu querer que meu filho tenha limites no uso da internet, no uso da TV, se eu n\u00e3o tenho. Por que tomar refrigerante faz mal pra ele e n\u00e3o faz pra mim? Ent\u00e3o acho que a gente tem que ser exemplo&#8221;, afirma Patr\u00edcia Freitas, professora adjunta do Instituto de Ci\u00eancias Sociais Aplicadas (ICSA), da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), com experi\u00eancia na \u00e1rea de estudos do consumo, g\u00eanero, m\u00eddias e tecnologias.<\/p>\n<p>Contudo, se o modo de fazer publicidade infantil mudou, ser\u00e1 que o conte\u00fado tamb\u00e9m mudou? Ou os velhos estere\u00f3tipos e apelos continuam a se reproduzir? Mais do que isso, ser\u00e1 que as crian\u00e7as s\u00e3o representadas pelas marcas? De fato, se pensarmos nos objetos e enquadramentos utilizados pelas empresas em campanhas dos anos 90, por exemplo, veremos algumas excentricidades bem question\u00e1veis como os &#8220;cigarrinhos de chocolate&#8221; da Pan, que veiculava na embalagem dois meninos. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade resolveu vetar a imagem por consider\u00e1-la impr\u00f3pria para a idade. Em um comercial pol\u00eamico da sand\u00e1lia Love Xu, uma menina \u00e9 apresentada com falas e gestos adultizados.<\/p>\n<p>Hoje em dia, o car\u00e1ter publicit\u00e1rio \u00e9 menos sensacionalista, at\u00e9 por haver \u00f3rg\u00e3os e conselhos interessados em realmente zelar pelo bem-estar da crian\u00e7a, como o programa Crian\u00e7a e Consumo, criado em 2006, que divulga, debate ideias e aponta caminhos no que se diz respeito \u00e0 publicidade voltada para crian\u00e7as. \u00a0No entanto, isto n\u00e3o significa que haja uma real representatividade infantil na m\u00eddia.<\/p>\n<p>De acordo com dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), negros e pardos representam 53,6% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, por\u00e9m, apenas 3% das bonecas s\u00e3o negras. Patr\u00edcia lembra que &#8220;a boneca negra foi durante muito tempo a boneca branca \u2018escurecida\u2019, porque o nariz era da boneca branca, o l\u00e1bio e o cabelo. N\u00e3o basta a gente pintar a boneca, a gente tem que trazer essas fei\u00e7\u00f5es, sen\u00e3o negro n\u00e3o vai se reconhecer naquela pe\u00e7a publicit\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante e que deve ser refletida se trata de g\u00eanero: &#8220;Para eles \u00e9 o universo do her\u00f3i, para elas resta o universo da princesa. E quando voc\u00ea n\u00e3o se enquadra nesse papel da princesa? Acho que a publicidade ainda refor\u00e7a essa dicotomia baseada na diferencia\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, no qual a gente acredita que s\u00f3 tem uma forma de ser mulher, de ser menina, e uma forma de ser menino. N\u00e3o existe essa multiplicidade de formas de express\u00e3o. Eu acho que isso \u00e9 muito s\u00e9rio&#8221;, aponta a pesquisadora da Universidade Rural.<\/p>\n<div id=\"attachment_2108\" style=\"width: 427px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2108\" class=\"wp-image-2108 \" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/07\/Imagem-3.jpg\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-3.jpg 390w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-3-300x154.jpg 300w, https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/wp-content\/uploads\/sites\/41\/2017\/07\/Imagem-3-137x70.jpg 137w\" sizes=\"auto, (max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/><p id=\"caption-attachment-2108\" class=\"wp-caption-text\">\u201cCigarrinhos de chocolate\u201d vendidos pela empresa Pan. Depois da pol\u00eamica produtos passaram a chamar-se palitinhos de chocolate e n\u00e3o tiveram mais crian\u00e7as nas caixas. (Foto: reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>Por fim, \u00e9 interessante ressaltar que mesmo havendo um c\u00f3digo 36, que diz que a publicidade n\u00e3o pode ser mascarada, clandestina, e que deve ser facilmente identificada pelo seu receptor, esta objetividade buscada encontra barreiras na internet, pois ao estimular atrav\u00e9s de crian\u00e7as outras crian\u00e7as a brincarem com determinados brinquedos ou ouvirem especifica m\u00fasica, a publicidade se mascara de divertimento e prazer, o que dificulta o julgamento at\u00e9 mesmo por parte das crian\u00e7as, que confundem publicidade com informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os desafios e diferen\u00e7as da propaganda destinada \u00e0s crian\u00e7as no s\u00e9culo XXI \u2014\u00a0por B\u00e1rbara Oliveira, Bruno Cardoso e Lucas Meireles &nbsp; Com 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