{"id":1925,"date":"2017-06-23T22:33:27","date_gmt":"2017-06-24T01:33:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/?p=1925"},"modified":"2026-06-18T10:07:13","modified_gmt":"2026-06-18T13:07:13","slug":"os-desafios-da-educacao-para-a-populacao-transexual-da-ufrrj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laboratorios.ufrrj.br\/humanidades\/os-desafios-da-educacao-para-a-populacao-transexual-da-ufrrj\/","title":{"rendered":"Os desafios da educa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o transexual da UFRRJ"},"content":{"rendered":"<p><em>O medo e o futuro incerto das pessoas que ainda s\u00e3o assombradas por seu nome de registro nas universidades<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Por: Carolina Carvalho, Eduardo de Oliveira, Fl\u00e1via Fabr\u00edcio, Tha\u00eds Melo e Uli Campos Leal.<\/p>\n<p>Estar em uma universidade federal, ter uma vida atarefada, muitas vezes precisar sair de casa e se distanciar da fam\u00edlia. Essa \u00e9 a realidade de muitos estudantes que decidem viver intensamente a vida acad\u00eamica em uma universidade p\u00fablica. Como se tudo isso j\u00e1 n\u00e3o bastasse, todas as dificuldades enfrentadas, imagina adicionar a isso a busca por uma identidade e o preconceito. \u00c9 o que acontece, na maioria das vezes, com os estudantes transg\u00eaneros.<\/p>\n<p>O termo transg\u00eanero corresponde \u00e0 pessoa que n\u00e3o se identifica com o g\u00eanero do seu nascimento. A identidade de g\u00eanero vai al\u00e9m do corpo, da forma de se vestir e agir. \u00c9 sobre aceitar-se e ser o que realmente \u00e9. Uma das diversas dificuldades enfrentadas pelos trans est\u00e1 em ter uma vida acad\u00eamica como qualquer outra pessoa. A falta de oportunidades e a discrimina\u00e7\u00e3o s\u00e3o recorrentes no cotidiano. E na nossa universidade parece n\u00e3o ser diferente.<\/p>\n<div id=\"attachment_1929\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1929\" class=\"size-medium wp-image-1929\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/06\/Ollie-Barbieri-enfrentou-a-falta-de-informa\u00e7\u00e3o-quando-ainda-na-adolesc\u00eancia-percebeu-que-era-trans.-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><p id=\"caption-attachment-1929\" class=\"wp-caption-text\">Ollie Barbieri enfrentou a falta de informa\u00e7\u00e3o quando ainda na adolesc\u00eancia percebeu que era trans.<\/p><\/div>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o trans tem uma dificuldade na inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e tamb\u00e9m de perman\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o. Principalmente porque as institui\u00e7\u00f5es normalmente n\u00e3o est\u00e3o preparadas para lidar com ela. Automaticamente a gente \u00e9 expulsa desse meio, o que dificulta muito mais na quest\u00e3o do trabalho porque se voc\u00ea n\u00e3o tem educa\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que voc\u00ea vai arrumar emprego?.\u201d Ollie Barbieri, com 25 anos e estudante de Filosofia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro poderia ser mais um estudante enfrentando os desafios normais da rotina universit\u00e1ria. Mas a maneira com que a comunidade acad\u00eamica lida com sua transgeneridade tornou o meio acad\u00eamico um ambiente de ansiedade e medo, o que j\u00e1 o fez pensar em desistir de sua gradua\u00e7\u00e3o diversas vezes. No momento ele est\u00e1 com a matr\u00edcula trancada e resolveu se afastar um per\u00edodo por conta da press\u00e3o psicol\u00f3gica causada pelo cotidiano agressivo da universidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano (28\/04\/2016), Dilma Roussef assinava o <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2016\/04\/dilma-autoriza-gays-usar-nome-social-no-servico-publico-federal.html\">Decreto n\u00ba 8.727\/2016<\/a>, que exige a ado\u00e7\u00e3o do nome social de pessoas transexuais e travestis em todos os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos brasileiros, o que inclui col\u00e9gios e universidades. No entanto, muitas institui\u00e7\u00f5es seguem ignorando a medida e afastam o sonho da forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria para muitas pessoas em todo o pa\u00eds. A UFRRJ aderiu apenas parcialmente o nome social: a carteira de identifica\u00e7\u00e3o estudantil carrega junto o nome de registro do estudante, o que al\u00e9m de constranger e ferir a autonomia do nome do estudante tamb\u00e9m confunde funcion\u00e1rios e j\u00e1 resultou at\u00e9 em acusa\u00e7\u00f5es de falsifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O processo de requerimento de retifica\u00e7\u00e3o para o nome social no Brasil ainda \u00e9 demorado e muito burocr\u00e1tico devido ao conservadorismo presente em muitos membros do \u00f3rg\u00e3o judici\u00e1rio. A sa\u00edda \u00e9 fazer o requerimento dentro das institui\u00e7\u00f5es e empresas em que a pessoa se encontra. Na Rural, as chamadas, e-mails coletivos e todo o sistema do aluno permanecem com o nome de registro do estudante, o que causa um ambiente nocivo para os transexuais. \u201cCoisas simples que pessoas cis t\u00eam, como poder usar o banheiro, ter o seu nome respeitado, pra n\u00f3s \u00e9 um grande desafio. Eu j\u00e1 fui desrespeitado diversas vezes, chamaram o meu nome de registro em p\u00fablico, fui exposto e constrangido. A Rural tenta usar de medidas paliativas que na verdade n\u00e3o solucionam o problema de fato.\u201d<\/p>\n<p>Criado por uma fam\u00edlia religiosa, Ollie descobriu sua identidade de g\u00eanero aos 14 anos, quando viu uma mat\u00e9ria na televis\u00e3o sobre \u201cuma mulher que tinha virado homem\u201d. Hoje, dez anos depois, ele acredita que seria diferente por conta da facilidade de acesso a informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto. Infelizmente, a descoberta veio acompanhada da press\u00e3o familiar e religiosa, que o convenceram a procurar uma cura. Depois de muitos cultos de liberta\u00e7\u00e3o, procedimentos psicol\u00f3gicos e m\u00e9dicos, o resultado foi o diagn\u00f3stico de ansiedade e depress\u00e3o, marcadas por automutila\u00e7\u00e3o e tr\u00eas tentativas de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Dois anos atr\u00e1s, Ollie encontrou apoio em uma igreja inclusiva, Igreja Crist\u00e3 Contempor\u00e2nea, o que lhe deu for\u00e7as pra se aceitar e se restabelecer socialmente. Ele procurou ajuda psicol\u00f3gica e come\u00e7ou o tratamento hormonal pelo SUS. Hoje, ele fala sobre autoaceita\u00e7\u00e3o e apoio familiar, elementos que foram essenciais para o t\u00e9rmino do seu ensino m\u00e9dio, tamb\u00e9m interrompido, sua aprova\u00e7\u00e3o em um concurso p\u00fablico e estabilidade da sua sa\u00fade mental. \u201cS\u00f3 depois que eu comecei o meu tratamento hormonal que eu sentei com meus pais e conversei com eles. Foi bem dif\u00edcil no in\u00edcio. Ainda sofro um pouco de transfobia em casa porque eles ainda n\u00e3o conseguem respeitar meu nome social e n\u00e3o usam os pronomes corretos o tempo todo. Eles acabam justificando esse comportamento na cren\u00e7a deles e tamb\u00e9m no costume, eles conviveram comigo por 25 anos e tem quase dois anos que eu me assumi completamente, ent\u00e3o pra eles \u00e9 dif\u00edcil. Eu acredito que \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_1928\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1928\" class=\"size-medium wp-image-1928\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/06\/Manoela-\u00e9-militante-pela-causa-trans-e-tenta-cada-vez-mais-conquistar-seus-direitos.-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-1928\" class=\"wp-caption-text\">Manoela \u00e9 militante pela causa trans e tenta cada vez mais conquistar seus direitos.<\/p><\/div>\n<p>Ollie n\u00e3o est\u00e1 sozinho em sua luta di\u00e1ria. A estudante do sexto per\u00edodo de Belas Artes da Rural, Manoela Monteiro, tamb\u00e9m nos mostra todas as suas dificuldades enfrentadas. A hist\u00f3ria de Manu, desde sua descoberta sobre o que era transgeneriedade, come\u00e7a com o desconforto consigo mesma durante toda a inf\u00e2ncia e mil e uma d\u00favidas sobre o porqu\u00ea de n\u00e3o se sentir confort\u00e1vel no meio masculino. \u201cEu sempre me senti desconfort\u00e1vel (&#8230;). At\u00e9 na escola mesmo, eu tentava socializar com os outros meninos, mas eu n\u00e3o me sentia confort\u00e1vel naquele universo\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Entre momentos de sil\u00eancio, a estudante relatou que sempre soube que havia algo diferente em si desde pequena. \u201cAntes dos 18 anos, as pessoas falavam que eu era um garoto homossexual, e eu falava \u2018T\u00e1\u2019. Dentro de mim eu sabia que eu n\u00e3o era\u201d, relata Manu.<\/p>\n<p>Foi apenas com 18 anos que ela se assumiu como trans. Mas n\u00e3o foi um processo f\u00e1cil. Um dos pontos levantados por Manu, \u00e9 como muitas pessoas trans n\u00e3o conseguem se reconhecer, pois s\u00e3o sempre rotuladas como apenas homossexuais. Exatamente o que aconteceu com ela. Antes da transi\u00e7\u00e3o, Manu apenas era conhecida como Gay.<\/p>\n<p>Manu conta que nunca foi tratada mal pela fam\u00edlia, mas que at\u00e9 hoje \u00e9 dif\u00edcil eles lidarem com sua transi\u00e7\u00e3o, principalmente na parte do nome e pronomes femininos. \u201cQuando eu decidi mesmo me assumir com trans, mudar o meu nome e falar que eu era uma mulher, eu tive dificuldade com algumas pessoas. De acostumar aquelas pessoas a me chamarem pelo meu nome, a respeitar meu g\u00eanero, respeitar os pronomes femininos. E isso eu tenho dificuldade at\u00e9 hoje. Eles n\u00e3o entendem, eles n\u00e3o conseguem. Mesmo eu sendo toda mulher\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao nome, Manu contou que a identidade para uma pessoa trans \u00e9 muito importante, pois \u00e9 o nome que os representa. Todo in\u00edcio de semestre ela precisa pedir para cada professor a chamar pelo nome de Manoela e n\u00e3o o nome de registro.<\/p>\n<p>O preconceito existe, n\u00e3o podemos negar. Apesar de se reconhecer como privilegiada por estar dentro de uma universidade e ter acesso ao conhecimento e educa\u00e7\u00e3o, Manu chama aten\u00e7\u00e3o para o preconceito que existem dentro do mercado de trabalho. \u201cOcupamos espa\u00e7o, como eu estou aqui fazendo na universidade, acredito que 90% das travestis est\u00e3o se prostituindo. Isso \u00e9 terr\u00edvel. Por falta de oportunidade no mercado de trabalho, por falta de oportunidade de estudo\u201d, explica. Para a estudante, o preconceito leva empresas a evitarem o contrato de pessoas da comunidade LGBT devido o pensamento de \u201cespantar a clientela\u201d.<\/p>\n<p>Manoela afirma que toda sua luta vale \u00e0 pena e incentiva as pessoas a buscarem a felicidade e o bem estar mesmo diante de todos os preconceitos. \u201cA gente ser mesmo o que a gente \u00e9. Toda pessoa trans sabe o valor disso. E se voc\u00ea perguntar para todas, vai ter a mesma resposta, que vale toda dificuldade pra gente poder ser quem a gente \u00e9\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_1927\" style=\"width: 179px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1927\" class=\"size-medium wp-image-1927\" src=\"http:\/\/blogs.ufrrj.br\/bloghumanidade\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2017\/06\/Guilherme-enfrentou-o-preconceito-n\u00e3o-s\u00f3-na-faculdade-mas-tamb\u00e9m-no-mercado-de-trabalho.-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" \/><p id=\"caption-attachment-1927\" class=\"wp-caption-text\">Guilherme enfrentou o preconceito n\u00e3o s\u00f3 na faculdade, mas tamb\u00e9m no mercado de trabalho.<\/p><\/div>\n<p>Guilherme Leoni de Paula, de 19 anos, estudante de Ci\u00eancias Sociais na Rural poderia ser s\u00f3 mais um jovem aluno vivendo os altos e baixos da vida universit\u00e1ria, mas n\u00e3o \u00e9. O estudante tem que enfrentar muito mais, apesar da pouca idade. Guilherme n\u00e3o foi sempre Guilherme. Ele nasceu menina, mas aos 14 anos percebeu que n\u00e3o se identificava com tudo aquilo que a sociedade define como \u201ccoisas de menina\u201d.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, ele teve que lutar pelo simples direito de ser quem ele queria ser. Teve que lutar para conquistar o direito de ser chamado de Guilherme, isso tudo por ser transexual. H\u00e1 cerca de um ano e meio ele come\u00e7ou a tomar horm\u00f4nios para adquirir caracter\u00edsticas masculinas como, por exemplo, o bigode que ostenta orgulhosamente. Mas a mudan\u00e7a f\u00edsica vai muito al\u00e9m, ele tamb\u00e9m pretende fazer diversas cirurgias que possuem uma import\u00e2ncia enorme para sua vida. \u201cS\u00e3o cirurgias que s\u00e3o meramente est\u00e9ticas, mas elas impactam muito na forma como voc\u00ea se sente em rela\u00e7\u00e3o a voc\u00ea mesmo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Guilherme j\u00e1 sofreu in\u00fameros preconceitos dentro e fora da universidade. \u201cEu j\u00e1 tive atendimento m\u00e9dico negado no postinho, j\u00e1 discuti com professores que n\u00e3o respeitavam o nome social. Eu j\u00e1 tive discuss\u00e3o com colegas que n\u00e3o aceitavam alguma coisa sobre a transgeneridade, j\u00e1 briguei com muita gente. Inclusive no meu curso eu tenho uma m\u00e1 fama justamente porque eu brigo com todo mundo, n\u00e3o importa quem seja.\u201d<\/p>\n<p>O estudante deu entrada em 2013 no decreto de nome social, e s\u00f3 foi aceito em 2015. Como tal decreto \u00e9 baseado em uma lei antiga, s\u00f3 garantiu a ele o direito de ter seu nome na carteirinha da universidade, por\u00e9m junto com o nome de registro. Assim, na hora de chamar seu nome para dar presen\u00e7a, os professores tamb\u00e9m o chamam pelo nome de registro.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na universidade que ele \u00e9 tratado de forma diferente por ser trans, no mercado de trabalho o preconceito \u00e9 ainda maior. Guilherme \u00e9 formado em Agropecu\u00e1ria, foi finalista da Olimp\u00edada Brasileira de Agropecu\u00e1ria, tem artigos publicados em ingl\u00eas sobre o assunto, tem simp\u00f3sio, j\u00e1 deu uma palestra para um dos diretores da Embrapa e agora est\u00e1 estudando Ci\u00eancias Sociais. Com tudo isso esperar\u00edamos que ele estivesse em um emprego na \u00e1rea da agropecu\u00e1ria, certo? Mas na pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 bem assim. Mesmo com toda essa qualifica\u00e7\u00e3o, a dificuldade em conseguir emprego o levou a trabalhar na \u00e1rea de Telemarketing.<\/p>\n<p>Mas a luta de Guilherme e de quase todas as pessoas transexuais come\u00e7a bem antes da entrada no mercado de trabalho e no lugar onde eles deveriam ser amados e aceitos como s\u00e3o. A luta contra o preconceito muitas vezes come\u00e7a dentro de suas pr\u00f3prias casas. De acordo com estudante, ele j\u00e1 morava sozinho quando seus pais descobriram que ele era transexual, mas embora fosse financeiramente independente, ainda era menor de idade e seus pais n\u00e3o aceitaram bem a descoberta. \u201cEu j\u00e1 tava em transi\u00e7\u00e3o h\u00e1 um temp\u00e3o quando contei pra minha fam\u00edlia e a rea\u00e7\u00e3o foi ruim.\u201d Mas nem todo mundo teve uma rea\u00e7\u00e3o ruim, os amigos aceitaram a not\u00edcia muito bem.<\/p>\n<p>Outra batalha que ele teve que enfrentar foi para mudar de nome com toda a burocracia que \u00e9 imposta. \u201cTeve muita burocracia, mas para mim foi mais f\u00e1cil do que geralmente \u00e9, porque costuma demorar muito tempo. O mais r\u00e1pido que eu j\u00e1 tinha visto eram tr\u00eas meses e isso sem voc\u00ea mudar o sexo nos documentos, s\u00f3 mudando o nome. O meu eu dei entrada no final de 2016 e no dia 27 de janeiro eu vi que foi aceito pela minha ju\u00edza. Eu tive que juntar muita documenta\u00e7\u00e3o e isso porque tive aconselhamento legal, quem n\u00e3o tem, nunca vai conseguir fazer isso sozinho.\u201d<\/p>\n<p>Atualmente, cinco anos depois de Guilherme ter se assumido trans, seus pais aceitaram a mudan\u00e7a e sua rela\u00e7\u00e3o com eles \u00e9 boa. Ele conseguiu mudar seu nome oficialmente. Mesmo j\u00e1 tendo conquistado algumas coisas, ele sabe que ainda tem um longo caminho pela frente e que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Para aqueles que, assim como ele, se descobriram ou est\u00e3o se descobrindo transexuais, Guilherme deixou um recado: \u201ceu diria persista, porque vale a pena. No in\u00edcio eu achei que n\u00e3o ia conseguir coisa nenhuma e mesmo assim eu consegui. Ent\u00e3o, n\u00e3o desistam.\u201d E \u00e9 isso que o Guilherme e muitas outras pessoas trans v\u00eam fazendo, persistindo. Apesar de todos os obst\u00e1culos, dos olhares maldosos ou curiosos, do preconceito, da burocracia, da falta de informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto, eles persistem para que talvez no futuro outras pessoas transexuais n\u00e3o precisem passar pelo que o Guilherme, o Ollie, a Manu e todas as pessoas trans t\u00eam que passar diariamente s\u00f3 por serem como s\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou\u00e7a abaixo as entrevistas de \u00e1udio:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trabalho de Jornalismo Hiperm\u00eddia- Popula\u00e7\u00e3o transexual da UFRRJ by Tha\u00eds\" width=\"500\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F324385527&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=750&#038;maxwidth=500&#038;secret_token=s-swAXF\"><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<h1>Gloss\u00e1rio<\/h1>\n<p><strong>Trans<\/strong><\/p>\n<p>Se uma pessoa possui como sexo atribu\u00eddo ao nascimento o feminino, mas se identifica com o sexo masculino, \u00e9 considerado um homem trans. J\u00e1 se o sexo atribu\u00eddo ao nascimento for o masculino, mas a pessoa se identifica com o feminino, \u00e9 considerada mulher trans.<\/p>\n<p><strong>Travesti<\/strong><\/p>\n<p>Pessoa que n\u00e3o se identifica com o sexo do seu nascimento e se veste e\/ou se comporta como pessoas do sexo oposto.<\/p>\n<p><strong>Cis<\/strong><\/p>\n<p>Pessoas que se identificam com o g\u00eanero do nascimento.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fotos: Arquivo pessoal dos entrevistados.<\/p>\n<p>Ollie Barbieri enfrentou a falta de informa\u00e7\u00e3o quando ainda na adolesc\u00eancia percebeu que era trans.<\/p>\n<p>Manoela \u00e9 militante pela causa trans e tenta cada vez mais conquistar seus direitos.<\/p>\n<p>Guilherme enfrentou o preconceito n\u00e3o s\u00f3 na faculdade, mas tamb\u00e9m no mercado de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O medo e o futuro incerto das pessoas que ainda s\u00e3o assombradas por seu nome de registro nas universidades Por: Carolina Carvalho, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[38,21],"tags":[],"class_list":["post-1925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-reportagens"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.4 - 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